Secom / Governo de Goiás
Acordo selado entre Caiado e Flávio Bolsonaro garante apoio do PL a Daniel Vilela para governo e coloca Gustavo Gayer na chapa ao Senado
A aliança entre o MDB, o União Brasil e o Partido Liberal (PL) em Goiás, especulada há meses nos bastidores da política local, está em seus ajustes finais. O anúncio foi feito pelo próprio governador Ronaldo Caiado (União Brasil), após um encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Brasília na última segunda-feira (19). O acordo tem potencial para definir não apenas a sucessão estadual, mas também influenciar a corrida presidencial e o equilíbrio de forças no Senado Federal.
Após o encontro, Caiado confirmou que a composição está praticamente definida:
Governo: O PL apoiará a candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) ao Palácio das Esmeraldas.
Senado: A chapa será formada por Gracinha Caiado (União Brasil), primeira-dama do estado, e pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). O governador foi direto ao confirmar o apoio a Gayer: “Sim, apoiarei sem dúvida nenhuma. Faz parte da chapa”. Ele ressaltou, no entanto, que a formalização depende da “palavra final do PL”. A aliança, descrita por Caiado como algo que “tem tudo a ver com a história política de Goiás”, é fruto de uma estratégia pragmática de ambas as partes, após um período de atritos.
Para o PL: A sigla, que enfrenta debandada de prefeitos para o MDB e o União Brasil em Goiás, assegura uma vaga competitiva ao Senado. Gustavo Gayer lidera com folga entre eleitores de 18 a 34 anos no estado, com 22% das intenções de voto nessa faixa etária, segundo pesquisa Polimarket de dezembro de 2025. A avaliação interna é de que, em uma chapa isolada, Gayer poderia ser derrotado no segundo voto por um nome governista ao lado de Gracinha Caiado.
Para MDB e União Brasil: A entrada do PL na base de Daniel Vilela praticamente garante uma chapa única e amplamente competitiva de centro-direita, com potencial de vitória já no primeiro turno, isolando a oposição. Gracinha Caiado já havia defendido publicamente a união, argumentando que “a centro-direita defende a mesma coisa” e que “estar com o PL é o caminho que deve ser”.
O acordo em Goiás é um capítulo importante na articulação nacional da direita.
Conexão Presidencial: O encontro entre Caiado e Flávio Bolsonaro sinaliza uma aproximação estratégica. Fontes relatam que o “acordão” em Goiás tem o aval de Flávio Bolsonaro e do senador Rogério Marinho, ambos do PL, e conecta o estado à política nacional. Enquanto Flávio é pré-candidato a presidente, Caiado também mantém sua pré-candidatura pelo União Brasil. A aliança estadual fortalece a base de ambos no Centro-Oeste.
Divisão no PL Estadual: O acordo não foi celebrado sem resistências. O senador Wilder Morais, presidente estadual do PL, lançou sua própria pré-candidatura ao governo e chegou a publicar uma nota de repúdio quando Daniel Vilela se encontrou com Jair Bolsonaro no ano passado. Internamente, a sigla vive uma encruzilhada entre a força eleitoral de Gayer, que defende a aliança, e o perfil de articulador de bastidor de Wilder. A decisão final terá de ser arbitrada pela cúpula nacional do partido.
Nova geografia política em Goiás
A consolidação dessa ampla frente de centro-direita redefine por completo o tabuleiro eleitoral em Goiás.
Oposição Encurralada: Com a união, avalia-se que o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) terá como única alternativa uma aliança com o PT, partido que ainda não definiu seu candidato a governador. A perspectiva é de que a disputa estadual se polarize entre a chapa de Daniel Vilela e uma possível frente de centro-esquerda liderada por Perillo.
Estratégia Nacional do PL: A movimentação em Goiás reflete uma diretriz nacional do PL para 2026: priorizar o fortalecimento da bancada no Senado, em detrimento de candidaturas próprias e arriscadas a governador. A eleição de Gustavo Gayer é uma das principais apostas do bolsonarismo para ampliar sua influência na Casa. A aliança em Goiás representa um caso exemplar de como as estratégias para as eleições de 2026 estão sendo costuradas: pactos locais com olho no cenário nacional, onde a composição de forças no Congresso pode ser tão decisiva quanto a corrida pelo Planalto.



