Divulgação
Saída de Ana Paula Rezende do MDB foi motivada por recusa a uso de dinheiro público para memorial, diz Daniel Vilela (foto)
Daniel afirma que ex-aliada cobrava construção de homenagem a Iris Rezende com verba estatal, o que é vedado por lei; em resposta, ela se filiou ao PL
O vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), lamentou nesta sexta-feira (20) a saída de Ana Paula Rezende do MDB e sua filiação ao Partido Liberal (PL), onde foi apresentada como pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo senador Wilder Morais. Em declaração à imprensa, Vilela atribuiu o rompimento à recusa do governo estadual em utilizar recursos públicos para a construção de um memorial em homenagem ao ex-governador Iris Rezende, pai de Ana Paula, falecido em 2022. “Lamento profundamente”, afirmou o vice-governador, classificando a decisão como “impensada”. Segundo ele, a principal razão para o desligamento foi a impossibilidade legal de atender ao pedido da ex-aliada. “Algo que, do ponto de vista pessoal e político, eu teria a maior das boas vontades de fazer, mas a lei impede. Não se pode utilizar recursos públicos para fazer um memorial particular”, declarou.
Daniel Vilela rebateu as críticas feitas por Ana Paula ao governo e ao partido nos últimos dias, afirmando que a negativa foi baseada estritamente em questões legais. “É algo muito pequeno, perfeitamente explicável em razão da lei, para ela sair e tomar uma atitude dessa forma, que sem dúvida traz uma tristeza enorme para muitos emedebistas do estado”, completou.
Insistência para permanência no MDB
Em seu depoimento, o vice-governador afirmou que sempre incentivou a entrada e a permanência de Ana Paula na vida política pelo MDB, legenda histórica da família Rezende. Segundo ele, chegou a defender, até o prazo final das negociações, que ela fosse candidata à Prefeitura de Goiânia nas eleições municipais de 2024. “Eu estava lá no escritório insistindo com ela da importância dela suceder o pai dela e hoje ela seria prefeita de Goiânia. Eu não tenho a menor dúvida disso”, declarou. Diante da recusa, Daniel afirmou ter buscado alternativas para mantê-la no projeto político do partido, inclusive como candidata a vice-governadora na chapa que disputará a sucessão estadual em 2026. “Insisti de forma enfática para que ela fosse a nossa candidata a vice. Ela disse que não gostaria de ocupar esse cargo”, relatou, acrescentando que, em conversas posteriores, Ana Paula demonstrou indefinição sobre quando ou se voltaria a disputar eleições. O vice-governador também destacou que Ana Paula foi “extremamente prestigiada” dentro da legenda, sendo escolhida por ele para ocupar a vice-presidência estadual do MDB. Daniel explicou que, pelo estatuto partidário, governadores não podem presidir o partido, o que abriria caminho para que ela assumisse a presidência estadual em até 40 dias, caso ele se desincompatibilizasse do cargo para disputar a reeleição. “Ela assumiria a condição de líder do nosso partido, o partido do qual o pai dela sempre foi líder e que também presidiu”, afirmou.
Cenário político e alianças
Apesar do rompimento, Daniel Vilela disse respeitar a decisão de Ana Paula e afirmou esperar que o processo eleitoral transcorra dentro da normalidade democrática. “Cada um tem que agir do jeito que acha que tem que ser. O que prevalece é a democracia. Afinal de tudo é o povo goiano que vai decidir nas urnas quem quer para liderar o estado”, declarou. O vice-governador também comentou o cenário político mais amplo, afirmando que o grupo governista, liderado pelo governador Ronaldo Caiado (PSD), mantém diálogo com partidos e lideranças que desejam dar continuidade ao atual projeto em Goiás. Segundo ele, há apoio majoritário dentro do MDB à sua permanência como vice-governador na chapa governista e à estratégia do partido para 2026. Ao relembrar sua trajetória política, Daniel destacou que sua candidatura a vice-governador em 2022 foi construída com o apoio direto de Iris Rezende, que teria defendido sua composição com Caiado como a melhor alternativa para o partido e para o estado. “Foi uma conversa decisiva, em que ele elogiou o comportamento ético do governador, o combate à corrupção e a diferença em relação às práticas do governo anterior”, concluiu. Ana Paula Rezende foi anunciada oficialmente como pré-candidata a vice-governadora pelo PL na última quarta-feira (18/2), em evento que contou com a presença do senador Wilder Morais e outras lideranças da legenda em Goiás.


