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Ex-ministro José Dirceu defende manutenção da aliança com Lula para 2026 e expõe divergências internas do PT sobre estratégia eleitoral
A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) se reuniu nesta segunda-feira (23/2), na sede do diretório estadual, na Lapa, em São Paulo, para discutir a estratégia eleitoral da legenda para 2026. O principal ponto de tensão foi a manutenção da chapa presidencial com o presidente Lula e Geraldo Alckmin, tema que revelou divergências internas sobre os rumos da aliança nacional. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo, que teve acesso aos principais pontos debatidos no encontro. Participaram da reunião lideranças como o ex-ministro José Dirceu, o presidente do partido, Edinho Silva, o vice-presidente Jilmar Tatto e o deputado Carlos Zarattini.
Defesa enfática da chapa Lula-Alckmin
O momento mais marcante da reunião foi a intervenção de José Dirceu, que fez um alerta direto sobre os riscos de alterar a composição da chapa presidencial. “Tirar o Alckmin da chapa do Lula irá custar a eleição!”, afirmou Dirceu, segundo o relato do encontro. A declaração reforça a posição de setores do PT que consideram estratégica a manutenção da aliança com Alckmin para 2026. Para essa ala, a composição atual amplia o espectro político da candidatura do presidente Lula e reduz resistências em segmentos mais amplos do eleitorado. Embora existam correntes internas que defendam reavaliações, o tom da reunião indicou predominância da cautela. A avaliação de parte da direção é que mudanças abruptas na engenharia da aliança poderiam gerar instabilidade política e custo eleitoral elevado.
São Paulo no centro do tabuleiro
Outro eixo central do encontro foi a disputa ao Senado em São Paulo, considerada peça-chave para o desempenho nacional do partido. Edinho Silva informou que as articulações estão em andamento e mencionou as ministras Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) como nomes influentes no cenário eleitoral paulista. A definição, no entanto, depende de pesquisas e, sobretudo, da decisão do ministro Fernando Haddad sobre seu futuro político. O impasse foi tratado como estratégico para o desenho da candidatura em São Paulo. “Haddad precisa resolver se será ou não candidato urgente”, declarou Jilmar Tatto, explicitando a pressão para que o ministro anuncie sua posição até 10 de março. A leitura interna é que a indefinição compromete a organização das alianças e a consolidação de uma narrativa competitiva no estado, atualmente governado pelo republicano, Tarcísio de Freitas.



