
“Este é o momento talvez do acordo mais importante geoeconômico já assinado por um governador do Estado”, repetiu Caiado, enfatizando a dimensão estratégica da iniciativa
Um mês antes da conclusão da venda da mineradora Serra Verde à empresa americana USA Rare Earth, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), já havia sinalizado o alinhamento do estado com os Estados Unidos na exploração de terras raras. Ao anunciar um acordo com o governo norte-americano, Caiado afirmou que Goiás “já fechou com os Estados Unidos da América (USA) ” em torno desses minerais estratégicos. Durante a formalização do chamado Manifesto de Entendimento, o governador classificou a iniciativa como um marco histórico. “Este é o momento talvez do acordo mais importante geoeconômico já assinado por um governador do Estado”, declarou, ao destacar o potencial econômico da parceria.
Acordo estratégico com os EUA
Segundo Caiado, o entendimento com o governo dos Estados Unidos tem como foco a produção e exploração de terras raras em território goiano, inserindo o estado em uma cadeia global considerada estratégica para a indústria de alta tecnologia. “Hoje nós fizemos um acordo chamado Manifesto de Entendimento com o governo americano da produção da exploração de terras raras que podemos transformar Goiás em uma referência no mundo em relação a esses minérios”, afirmou. O governador também destacou a abundância desses recursos naturais na região. “A demanda da terra mundial e Deus deu a nós a bênção de termos aí a Malminina em Mina Sul, Nova Roma, Viliporá e Monte Alegre de Goiás”, disse, ao citar áreas com potencial mineral no estado.
Contexto geopolítico e econômico
As declarações de Caiado ocorrem em um cenário de crescente disputa internacional por minerais críticos, especialmente entre Estados Unidos e China. As terras raras são insumos fundamentais para setores como energia limpa, indústria digital e defesa, o que aumenta o interesse estratégico sobre regiões produtoras. O acordo celebrado pelo governo de Goiás antecipa, nesse sentido, o movimento mais amplo que culminou na aquisição da Serra Verde, localizada no estado, por uma empresa americana. A mina de Pela Ema, envolvida na operação, é considerada uma das mais relevantes fora da Ásia na produção de terras raras pesadas.
Integração internacional e controvérsias
Enquanto o governo estadual destaca o potencial de inserção global e atração de investimentos, críticos apontam riscos associados à perda de controle nacional sobre recursos estratégicos. O debate ganhou força após a confirmação de que a produção da Serra Verde será integralmente destinada ao mercado norte-americano. Nesse contexto, as falas de Caiado ganham novo significado, ao evidenciar que a aproximação com os Estados Unidos na área de terras raras já vinha sendo construída em nível estadual antes da concretização da operação empresarial.
Goiás como polo global de minerais críticos
Ao defender o acordo, Caiado reiterou a ambição de posicionar Goiás como referência internacional no setor. “Este é o momento talvez do acordo mais importante geoeconômico já assinado por um governador do Estado”, repetiu Caiado, enfatizando a dimensão estratégica da iniciativa. A aposta do governo goiano se baseia no potencial mineral da região e na crescente demanda global por terras raras, especialmente no contexto da transição energética e da digitalização da economia.


