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Governo de Goiás intensifica articulação no STF para evitar perdas bilionárias na divisão dos royalties do petróleo

Governador Daniel Vilela lidera articulação no STF para evitar perdas na divisão dos royalties do petróleo- Fotos: Secom / Governo de Goiás

Goiás está entre os estados mais impactados, com perda acumulada de aproximadamente R$ 6,09 bilhões entre 2013 e 2025

O governador de Goiás Daniel Vilela (MDB) irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima semana, acompanhado do procurador-geral do Estado de Goiás, Rafael Arruda, para tratar com ministros sobre a distribuição dos royalties do petróleo. A mobilização antecede o julgamento, marcado para 6 de maio, das ações que questionam a redistribuição dos royalties e das participações especiais no país. Em março de 2013, medida cautelar concedida pela ministra Cármen Lúcia suspendeu a eficácia da Lei nº 12.734/2012. Desde então, a maior parte dos royalties e das participações especiais permanece concentrada em estados e municípios produtores. Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo concentram, juntos, 95% desses recursos. Diante desse cenário, 19 estados não produtores passaram a contestar a manutenção do modelo, ao apontar perdas bilionárias. Goiás está entre os entes mais impactados. As estimativas indicam perda acumulada de aproximadamente R$ 6,09 bilhões entre 2013 e 2025 e projeção adicional de cerca de R$ 913 milhões em 2026, segundo a Secretaria da Economia. “São recursos que poderiam ter sido aplicados em infraestrutura, segurança pública e serviços essenciais. Por isso, o julgamento representa momento decisivo para o pacto federativo brasileiro, já que pode redefinir a distribuição de receitas oriundas de um bem da União, ou seja, de uma riqueza que é nacional e que pertence a todos os brasileiros, com impacto direto na redução das desigualdades regionais”, afirma o procurador-geral do Estado, Rafael Arruda.

Proposta de acordo

Na véspera do julgamento, em 5 de maio, Rafael Arruda vai representar Goiás no ato com outros procuradores-gerais para apresentar à Corte os impactos do modelo atual e a proposta de acordo construída pelos estados não produtores e pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).  A proposta a ser apresentada, segundo ele, busca uma saída equilibrada: aplicar a lei a partir de maio de 2026, prever uma transição de sete anos para adaptação dos estados produtores, renúncia de valores retroativos e excluir da negociação a margem equatorial, em razão do grau de incerteza regulatória e ambiental ainda existente. Até o momento, os estados que subscrevem a proposta de acordo, com a participação da CNM, são: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. O passivo acumulado entre 2013 e 2025, relativo às perdas de estados e municípios não produtores, alcança cerca de R$ 189,7 bilhões, segundo dados do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul).

Entenda o caso

Em 2012, o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 12.734/2012, com base no princípio constitucional de que os recursos naturais pertencem à União e que as receitas de sua exploração devem ser compartilhadas de forma equitativa entre os entes federativos. A decisão cautelar da ministra Cármen Lúcia, em 2013, suspendeu a aplicação da norma e manteve a distribuição prevista na Lei nº 9.478/1997, conhecida como Lei do Petróleo. Na prática, a medida preservou a concentração das receitas em poucos entes federativos. Em 2025, royalties e participações especiais somaram R$ 92,423 bilhões em arrecadação, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O estado do Rio de Janeiro foi o principal beneficiado, com R$ 14,50 bilhões em royalties e R$ 11,55 bilhões em participações especiais. “Diante desse cenário, o STF terá papel decisivo na redefinição desse equilíbrio, com reflexos diretos sobre o desenvolvimento regional e a coesão federativa”, analisa Arruda.

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