Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) , Ratinho Junior (PR) e Gilberto Kassab (PSD)
p/ Gilson Romanelli
O tabuleiro político para 2026 acaba de sofrer um abalo sísmico. Enquanto os bastidores de Brasília e Goiânia fervilhavam com apostas que colocavam o governador Ronaldo Caiado em legendas como Podemos, Solidariedade ou Republicanos, o veterano goiano provou que a experiência é o seu maior trunfo. Em um movimento que pegou analistas e adversários de surpresa, Caiado ignorou os caminhos óbvios e anunciou sua filiação ao PSD de Gilberto Kassab. A decisão, oficializada nesta terça-feira (27 de janeiro de 2026), não é apenas uma mudança de sigla; é a formação de um verdadeiro “consórcio de governadores” que promete redesenhar a direita moderada no Brasil.
O “Drible” nas Apostas: Por que o PSD?
Até ontem, o sentimento era de que Caiado buscaria um “partido para chamar de seu”, onde não houvesse sombras. O Podemos de Renata Abreu e o Solidariedade de Paulinho da Força eram vistos como portos seguros. No entanto, Caiado optou pelo gigantismo e pela estrutura do PSD.
Ao entrar no “ninho de Kassab”, Caiado se junta a outros dois nomes de peso que também miram o Planalto: Eduardo Leite (RS) e Ratinho Junior (PR). A surpresa maior não foi apenas a escolha do partido, mas o tom do anúncio: um pacto de união.
A Estratégia do “Cercamento” e a Ruptura com o União Brasil
A saída do União Brasil já era um movimento anunciado. Caiado sentia-se asfixiado por uma legenda que, embora robusta, mantém um pé no governo Lula e outro em negociações que priorizavam alianças regionais em detrimento de uma candidatura presidencial própria.
Caiado rompeu o “gelo” partidário com um discurso pragmático: ”O que Lula quer é um candidato só. Como é que você enfrenta a máquina com um candidato só? Vamos pulverizar no primeiro turno para vencer no segundo.” O diferencial desta filiação foi o gesto de “desprendimento”. Ao lado de Leite e Ratinho Jr., Caiado selou um acordo de cavalheiros:
União acima do ego: Os três governadores concordaram que aquele que estiver melhor ranqueado nas pesquisas será o candidato do grupo.
Apoio Integral: O escolhido terá o suporte irrestrito dos outros dois, criando um eixo Sul-Centro-Oeste fortíssimo.
Foco na Gestão: O discurso abandona o ódio ideológico e foca em segurança pública, eficiência técnica e “independência intelectual”. Apesar do reboliço positivo, a jornada não será simples. Caiado precisa agora: Nacionalizar o nome: Converter sua aprovação recorde em Goiás (que chega a 86% em alguns levantamentos) em votos no Sudeste e Nordeste. Segurança Jurídica: Garantir que sua saída do União Brasil não gere retaliações que comprometam sua base de apoio em Goiás.
Furar a Bolha: Provar que pode ser a “terceira via” real entre o petismo e o bolsonarismo.
A entrada de Ronaldo Caiado no PSD transforma o partido na principal força de centro-direita do país, isolando tentativas de radicalismo e oferecendo ao eleitor uma opção de “direita com currículo”. Se o plano de pulverizar as candidaturas para forçar o segundo turno funcionar, 2026 poderá ser o ano em que a polarização finalmente encontrará um adversário à altura. O Brasil merece esse debate de alto nível. Que esse 2026, venha com a determinação e a coragem que sempre marcaram a vida pública de Ronaldo Caiado. Parabéns governador Ronaldo Caiado, o Brasil merece experimentar aquilo que foi desenvolvido aqui no nosso estado e precisa ser replicado no plano macro, para toda federação.
Gilson Romanelli é Jornalista e Articulista Político



