Na imagem, da esquerda para a direita: Lula, Alexandre de Moraes e Donald Trump Integrantes do governo avaliam que discutir apenas tarifas não basta e que é preciso mostrar que julgamento de Bolsonaro foi correto; 1ª conversa entre presidentes ainda não tem data e deve ser realizada por telefone ou videoconferência O governo Lula quer incluir no pacote de negociação com os Estados Unidos uma revisão das sanções impostas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, enquadrado na Lei Magnitsky, e dos vistos suspensos de autoridades do Executivo brasileiro. Planalto e Itamaraty avaliam que restringir as conversas apenas às tarifas impostas ao Brasil não basta. Desde 23 de setembro, quando Donald Trump (Partido Republicano) citou publicamente um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), interlocutores dos 2 países retomaram as conversas. O chanceler Mauro Vieira ficou uma semana em Nova York, onde teve contato com integrantes da administração trumpista. Voltou ao Brasil no domingo (28.set). As negociações para o encontro, no entanto, ainda estão em fase inicial. É possível que os 2 presidentes conversem ainda nesta semana por telefone ou videoconferência. Parte dos integrantes do Planalto tem pressa para não perder o momento e deixar esfriar a relação recém-estabelecida com Trump. Um encontro presencial ficaria para um 2º momento. Poderia ser realizado em um 3º país ou na residência de Trump em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida (EUA). O governo brasileiro quer evitar uma recepção formal na Casa Branca. Avalia que haveria mais exposição a jornalistas e menos controle sobre eventuais constrangimentos impostos pelo republicano. Não seria a 1ª vez. Os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, passaram por situações humilhantes no Salão Oval. A organização desse tipo de interação entre 2 chefes de Estado é complexa e demanda uma série de garantias previamente estabelecidas. Algumas delas se dão em torno do que poderá ser negociado por cada lado. Os 3 principais temas da conversa –redução das tarifas, reversão das sanções contra Moraes e cancelamento da suspensão de vistos a ministros– devem ser colocados na mesa de negociação. Se Lula for bem-sucedido ao tratar dessas questões, obterá uma vitória grande sobre os bolsonaristas. Mas é improvável que em um governo ideológico, de viés antiesquerda e a favor das atuais regras para as big techs, como é o de Trump, haja um recuo em relação ao ministro do STF. Aliados do petista trabalham com cautela. Avaliam que ainda não está claro quem são exatamente os interlocutores preferenciais de Trump e que qualquer encaminhamento terá a palavra final do republicano, que pode mudar de ideia de forma inesperada. Do lado brasileiro, o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e os ministros de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Fazenda, Fernando Haddad, têm encabeçado as discussões. Em 9 de julho, Trump anunciou tarifas de 50% para os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. Entraram em vigor em 6 de agosto. Em carta endereçada a Lula, o republicano justificou o aumento da taxação pelo tratamento que alegou ter sido dado pelo governo brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem disse respeitar profundamente. Em 30 de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou a inclusão de Moraes na Lei Magnitsky, utilizada para impor sanções a autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. O ministro é o relator do processo que levou à condenação de Bolsonaro. No caso do magistrado, ele foi acusado de usar o cargo para “autorizar detenções arbitrárias preventivas e suprimir a liberdade de expressão”. As punições envolvem bloqueio de ativos, proibição de entrada no país e restrições de negócios com cidadãos e empresas norte-americanas. As decisões foram influenciadas pela atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do empresário e jornalista Paulo Figueiredo junto à ala mais ideológica da Casa Branca. Naquele momento, a interlocução entre os governos Lula e Trump foi interrompida. Como o jornal O Estado de S. Paulo mostrou, os 2 governos voltaram a se falar com mais intensidade a partir da condenação de Bolsonaro pelo STF em 11 de setembro. Uma série de conversas entre autoridades dos 2 governos se deu nos bastidores e uma reaproximação foi construída. Lula e Trump tiveram o 1º contato pessoalmente em 23 de setembro, no intervalo entre o discurso de ambos na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. O cumprimento que durou alguns segundos já era esperado pelos 2 governos, mas não se sabia exatamente como ocorreria e qual seria sua extensão.O fato de o republicano ter mencionado o encontro em seu discurso no evento e ter dito que ambos haviam combinado um encontro para esta semana deu outro peso à aproximação entre os 2. O episódio foi lido como uma vitória para Lula. Minutos antes do cumprimento, o petista havia dito em seu discurso que o Brasil seguirá como “nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”. O petista foi aplaudido ao dizer que a democracia e a soberania brasileira são “inegociáveis”. E criticou o que chamou de medidas “unilaterais e arbitrárias” contra instituições e contra a economia do país. Na sua vez de discursar, logo depois de Lula, Trump relatou o encontro com o petista, a quem elogiou, mas disse que o Brasil irá fracassar sem a ajuda da Casa Branca. “O Brasil está indo mal, e só irá melhorar quando trabalhar em cooperação com os Estados Unidos […] Sem nós, eles fracassarão, assim como outros fracassaram. Essa é a verdade”, afirmou o republicano.
Lula quer salvar Moraes da Magnitsky ao negociar com Trump
Escola do Futuro de Goiás cria drone para auxiliar no reflorestamento do Cerrado
Fotos: Secti Protótipo custa apenas R$ 50 e foi feito com código aberto, podendo ser replicado em larga escala em todo o país O Governo de Goiás, por meio da Escola do Futuro de Goiás (EFG) Sarah Luiza Lemos Kubitschek de Oliveira, em Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do Distrito Federal, desenvolveu um dispositivo de baixo custo que transforma drones em dispersores de sementes para ajudar no reflorestamento, por exemplo, de áreas atingidas por incêndios florestais. O equipamento criado por professores e técnicos da EFG, batizado de Beto, já passou por seis testes bem-sucedidos e tem como objetivo alcançar locais de difícil acesso, aumentando a eficiência da regeneração natural. O projeto chama a atenção por ser de código aberto e acessível: com apenas R$ 50 é possível montar o dispositivo, o que abre caminho para sua replicação em larga escala em diferentes regiões do Brasil. A iniciativa surgiu da necessidade de ampliar o alcance de ações de recuperação ambiental, após os recorrentes incêndios que devastam o Cerrado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram, em agosto, Goiás como o segundo estado com maior número de queimadas no país. Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, José Frederico Lyra Netto afirma que este é mais um projeto inovador criado nas Escolas do Futuro de Goiás que pode ter impacto real não apenas no estado, mas em todo o país. “Nossas escolas ensinam e produzem tecnologia. Temos diversos projetos feitos por professores e alunos com potencial de impacto na sociedade. Este é um deles, mostrando como a tecnologia pode ajudar a criar um ambiente sustentável para os goianos”. O protótipo foi desenvolvido pelo professor de tecnologia Johnattan Pires Rezende, que é ex-aluno da escola, em parceria com a técnica de laboratório Joseane Pereira Barbosa e o coordenador dos Serviços Tecnológicos e Ambientes de Informação (STAI), João Marcos Marques da Silva. “Criar uma solução acessível, que pode ser replicada em qualquer lugar, é uma forma de mostrar que a tecnologia pode estar a serviço do meio ambiente e das pessoas. Queremos que esse protótipo inspire outras iniciativas de reflorestamento pelo Brasil”, relata João Marcos. Nome A escolha do nome Beto homenageia o ambientalista José Roberto da Silva, conhecido por plantar árvores voluntariamente em escolas e espaços públicos de Santo Antônio do Descoberto, incluindo a própria Escola do Futuro de Goiás. A ideia é que a tecnologia se torne também um símbolo de engajamento comunitário e inspiração para ações coletivas. A expectativa é que a solução desperte interesse nacional, tanto pelo caráter inovador quanto pela possibilidade de reduzir custos em iniciativas de reflorestamento em áreas críticas, especialmente diante do avanço das queimadas. As Escolas do Futuro de Goiás (EFGs) são escolas públicas mantidas pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), voltadas para o ensino profissionalizante em tecnologia. São seis unidades em: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Mineiros, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso de Goiás. As escolas possuem aproximadamente 6 mil m², incluindo oito laboratórios de tecnologia e três espaços de inovação, contendo o que há de mais moderno em matéria de equipamentos, computadores, impressoras 3D, maquinários de corte e impressão, além de um braço robótico, que amplia a formação e experiências dos estudantes. Desde 2021, as escolas são geridas, por meio de convênio, pela Universidade Federal de Goiás.
Lula veta mudança na Lei da Ficha Limpa que beneficiava Arruda, Garotinho e Cunha
Foto: Ricardo Stuckert/PR O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vetou trechos da lei aprovada pelo Congresso Nacional que alterava a Lei da Ficha Limpa e, na prática, reduzia o tempo de inelegibilidade. A informação foi publicada pelo Metrópoles e confirmada pela Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto por meio de nota enviada ao portal original da notícia, a coluna Grande Angular do Metrópoles. A proposta aprovada pelos parlamentares no início de setembro unificava em oito anos o prazo de inelegibilidade para políticos impedidos de concorrer. Pelo texto, dispositivos de retroatividade poderiam alcançar condenações passadas, o que abriria espaço para beneficiar nomes como os ex-governadores José Roberto Arruda (PL-DF) e Anthony Garotinho (RJ), além do ex-deputado federal Eduardo Cunha. Segundo a assessoria presidencial, Lula vetou justamente os pontos que tratavam da aplicação retroativa e imediata das mudanças. Em nota, o Palácio do Planalto afirmou literalmente: “Foram vetados os seguintes dispositivos: • Art. 2º, na parte que propunha a alteração do inciso d, do inciso I do art. 1º, da Lei Complementar nº 64/90 (que alterava o prazo inicial para a contagem e os critérios configuradores da inelegibilidade decorrente de representação eleitoral por abuso de poder econômico ou político); • Art. 2º que acresce os §4º-F, §6º, §9º e Art. 26-E (dispositivos que previam efeitos retroativos e imediatos da nova Lei para fatos e condenações pretéritas ou processos já transitados em julgados). Os vetos buscam garantir o respeito a isonomia, a segurança jurídica e a coisa julgada, assim como se baseiam em julgados consolidados do Supremo Tribunal Federal (vide Repercussão Geral – Tema 1199)” O que estava em jogo Os dispositivos barrados previam a recontagem de prazos e critérios de inelegibilidade, inclusive para casos já alcançados por decisão definitiva, alterando o marco inicial e permitindo revisão de punições. Com o veto, permanece a proteção à coisa julgada e a vedação de retroatividade em prejuízo da segurança jurídica, conforme a justificativa do governo ancorada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (Tema 1199 da Repercussão Geral). Quem poderia ser beneficiado A proposta aprovada pelo Congresso Nacional era apontada como potencialmente benéfica a condenados por abuso de poder político ou econômico e outras hipóteses previstas na Lei da Ficha Limpa. Entre os nomes citados estão os ex-governadores José Roberto Arruda e Anthony Garotinho, além do ex-deputado Eduardo Cunha. O alcance efetivo da mudança, contudo, dependia da aplicação retroativa — justamente o ponto que foi vetado pelo presidente da República. Próximos passos Como se trata de veto presidencial, o tema retorna ao Congresso, que poderá mantê-lo ou derrubá-lo em sessão conjunta de deputados e senadores. Até lá, seguem vigentes as regras atuais da Lei Complementar nº 64/90, sem a retroatividade prevista na proposta aprovada pelos parlamentares.
Caiado pede “sabedoria e equilíbrio” ao prestigiar posse de nova presidência do STF
Fotos: Walter Folador Em Brasília, governador destaca respeito à democracia durante primeira solenidade comandada pelo novo chefe do Judiciário nacional, ministro Edson Fachin, que assume também o Conselho Nacional de Justiça O governador Ronaldo Caiado acompanhou nesta segunda-feira (29/9) a sessão de posse da nova presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O chefe do Executivo estadual parabenizou o ministro Edson Fachin, que assumiu a gestão da corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o biênio 2025-2027, e Alexandre de Moraes, que ocupa o cargo de vice-presidente. Ao participar da solenidade, Caiado destacou a importância da harmonia entre os Poderes, o que ele destaca ser uma premissa em sua gestão desde 2019, quando assumiu o Governo de Goiás. O governador disse que o ministro Edson Fachin é um grande jurista e deseja a ele uma gestão de sabedoria e de equilíbrio à frente do STF. Fotos: Walter Folado Ronaldo Caiado define o ministro Edson Fachin como um grande jurista e deseja a ele uma gestão de sabedoria e de equilíbrio à frente do STF “É um homem preparado, que tem condições, sem dúvida nenhuma, pela credibilidade dele no cenário nacional e também junto a toda a academia”, avaliou Caiado (foto acima cumprimentando o ministro ministro Edson Fachin). “Isso representa aquilo que todos os brasileiros esperam: uma posição mais clara, mais definida, mais colegiada e, ao mesmo tempo, contemplando esse sentimento de esperança do brasileiro”. Ao assumir a presidência, Fachin reiterou que fará uma gestão com respeito e deferência ao dissenso e a diferença, realçando a cordialidade. “Venho fomentar a estabilidade institucional. O país precisa de previsibilidade nas relações jurídicas e confiança entre os poderes. O tribunal tem o dever de garantir a ordem constitucional com equilíbrio”, afirmou. Fachin frisou que o trabalho no STF será guiado por metas, indicados por compromissos claros, fincados em direitos humanos e fundamentais, com segurança jurídica como base da confiança pública; sustentabilidade como dever intergeracional; diversidade, igualdade e respeito à pluralidade; e transformação digital para aproximar a justiça do povo. “A obrigação é aplicar a Constituição com atenção prioritária àqueles que historicamente são esquecidos, silenciados ou discriminados. Isso exige promover acesso à justiça, à diversidade, paridade e respeito à alteridade”, completou o novo presidente do STF. Edson Fachin integra o Supremo desde 2015 e atuou na vice-presidência da Corte no último biênio, ao lado do ministro Luís Roberto Barroso. Ao destacar a atuação do novo vice-presidente do STF, disse que Morais chegou ao STF com carreira consolidada como jurista e professor de direito constitucional. “É um amigo, um juiz feito fortaleza”, emendou. Moraes tomou posse na corte em 2017. Mundo dividido Ao deixar a presidência do Supremo, o ministro Luís Roberto Barroso destacou que a nova gestão do STF assume o Poder Judiciário em mundo dividido, que vai precisar de sua integridade, capacidade intelectual e suas virtudes pessoais, “de modo que será uma benção para o país ter Vossa Excelência conduzindo o Supremo com o encargo de manter as luzes acesas nesses tempos em que de vez em quando aparece escuridão”, asseverou. A ministra Cármen Lúcia falou em nome da corte durante a solenidade e afirmou que a posse tem um timbre republicano e democrático, que é fundamental para as instituições permanentes no Brasil. “Desde que assumiu no STF, (o ministro Fachin) é criterioso, equilibrado, vinculado aos valores que sempre sublinhou em sua trajetória. É um juiz atento e cuidadoso e manteve as instituições que comandou na linha segura da democracia brasileira. Isso o torna juiz que não produz surpresa aos jurisdicionados”, ponderou. A sessão solene contou ainda com a presença de todos os demais ministros do STF, além do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva; dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.
Edson Fachin assume a presidência do STF
Foto / Imagem: Fellipe Sampaio/STF Ministro Alexandre de Moraes foi empossado vice-presidente; solenidade reuniu Lula, Alcolumbre e Motta no Supremo Tribunal Federal O ministro Edson Fachin assumiu, nesta segunda-feira (29/9), a Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para o biênio 2025-2027. O ministro Alexandre de Moraes foi empossado como vice-presidente da Corte. Ambos foram eleitos por votação interna e terão mandato de dois anos. A solenidade, transmitida ao vivo pela TV Rádio e Justiça e pelo canal do STF no YouTube, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União), além de outras autoridades dos Três Poderes. Também estavam presentes, entre as autoridades, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ex-presidente José Sarney e os governadores Romeu Zema, de Minas Gerais (Novo), Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul (PSD) e Ronaldo Caiado, de Goiás (União Brasil). Além deles, participaram da solenidade os governadores Jerônimo Rodrigues (Bahia), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Carlos Brandão (Maranhão), Helder Barbalho (Pará), Raquel Lyra (Pernambuco), João Azevedo (Paraíba), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Jorginho Mello (Santa Catarina), Paulo Dantas (Alagoas), Wilson Lima (Amazonas), Laurez Moreira (Tocantins) e Antônio Denarium (Roraima). A sessão foi aberta pelo então presidente da Corte, o ministro Luís Roberto Barroso, seguida da execução do Hino Nacional pelo Coral Supremo Encanto, formado por servidores e colaboradores do Tribunal. Facchin então leu o termo de compromisso e a diretora-geral do STF, Fernanda Azambuja, leu os termos de posse. “Prometo bem e fielmente cumprir os deveres do cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, em conformidade com a Constituição e as leis da República”, jurou Fachin. Após a assinatura dos termos, Fachin foi oficialmente declarado empossado e trocou de lugar na bancada com Barroso. Na sequência, já como presidente, Fachin conduziu a posse de Alexandre de Moraes na vice-presidência. Os termos também foram lidos pela diretora-geral, e Moraes foi oficialmente empossado. Em nome da Corte, a ministra Cármen Lúcia fez o discurso de saudação aos novos dirigentes. “Ministro Fachin assume a presidência do Supremo em um mundo dividido que precisa muito da sua integridade, da sua capacidade intelectual e das suas virtudes pessoais. É uma benção para o país, neste momento, ter uma pessoa como Vossa Excelência conduzindo o Supremo com o encargo de manter as luzes acessas nesses tempos em que, de vez em quando, aparece escuridão”, disse a ministra. Carmem Lúcia destacou o papel Judiciário, a importância da democracia e dos valores decrocrátivos, do cumprimento da Constituição e da manutenção do Estado Democrático de Direito. “Os juízes dessa casa tem ciência das específicas tribulações de nosso tempo que impõe uma interrupta vigilância dos valores e princípios da democracia tão duramente conquistada no Brasil e recentemente agredida, desconsiderada, ultrajada por antidemocratas, em vilipéndio antipatriótico e abusivo contra o Estado de Direito vigente”, afirmou. Também discursaram o Procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti. Fachin encerrou as falas da cerimônia, antes de receber cumprimentos, junto com Moraes, no Salão Branco do STF. “Seguir a Constituição” Em seu discurso, o novo presidente do STF disse que o compromisso é com a Constituição. Afirmou que o país precisa de previsibilidade nas relações jurídicas e de confiança entre os Poderes. “Ao Direito, o que é do Direito. À Política, o que é da Política. A espacialidade da Política é delimitada pela Constituição. A separação dos poderes não autoriza nenhum deles a atuar segundo objetivos que se distanciem do bem comum. O genuíno Estado de Direito conduz à democracia. O governo de leis e não o governo da violência: eis o imperativo democrático capaz de zurzir o autoritarismo”, afirmou Fachin. Sobre Moraes, que tomou posse como seu vice, Fachin disse que o magistrado engrandece o STF. “É um amigo e um juiz feito fortaleza. Sua Excelência, como integrante deste tribunal, merece nossa saudação e nossa solidariedade, e sempre a receberá, como assim o faremos em desagravo a cada membro deste colegiado, a cada juiz ou juíza deste país, em defesa justa do exercício autônomo e independente da magistratura. Estou certo de que o Tribunal que integro e que passo a presidir não falta à Constituição nem deslustra a sua tradição. Com serenidade, empenhar-me-ei na preservação dos valores que moldam a identidade do Supremo Tribunal Federal” , disse. Gestão austera Fachin destacou também que sua gestão será austera no uso dos recursos públicos pelo Judiciário. “São valores nessa jornada: os direitos humanos e fundamentais, a segurança jurídica, a transparência, bem como a sustentabilidade, a integridade e a ética, e ainda: eficiência e efetividade, diversidade e equidade, cooperação, valorização das pessoas, os ‘seres humanos de carne e osso’, com acessibilidade e inclusão”, discursou. Combate à corrupção Edson Fachin também defendeu o combate à corrupção, mas disse que ele deve ocorrer “atenção ao devido processo”: “A resposta à corrupção deve ser firme, constante e institucional. O Judiciário não deve cruzar os braços diante da improbidade. Como fiz em todas as investigações que passaram pelo meu gabinete, os procedimentos foram dentro das normas legais, em atenção ao devido processo, à ampla defesa e ao contraditório. Ninguém está acima das instituições, elas são imprescindíveis e somos melhores com elas”, ressaltou. O ministro ainda adiantou três medidas que pretende tomar para enfrentar organizações criminosas. “No combate às organizações criminosas, mafiosas, empresariais, institucionais ou em rede, inclusive no domínio ambiental e transnacional, proporemos a análise de um tripé de ações imediatas: Mapa Nacional do Crime Organizado, Manual de Gestão das Unidades Especializadas e Pacto Interinstitucional para seu Enfrentamento” , disse. Fachin também declarou que irá criar um centro de estudos constitucionais e uma assessoria acadêmica. Quem é Edson Fachin? Nascido em Rondinha (RS), em 8 de fevereiro de 1958, Luiz Edson Fachin tem 67 anos. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1980, instituição onde também se tornou professor
“Amante de Bolsonaro”: Michelle vai à Justiça contra Joice Hasselmann
REUTERS/Carla Carniel Durante a entrevista, a ex-parlamentar a chamou de “uma grande farsa”, “um horror” e “de baixíssimo nível”. Ela também acusou Michelle de ter sido “amante” de Bolsonaro, enquanto ele era casado com outra. Na petição, os advogados de Michelle Bolsonaro afirmam que as falas configuram difamação e solicitam a retirada imediata do vídeo A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entrou com uma ação judicial contra a ex-deputada federal Joice Hasselmann após declarações feitas em um podcast que segue disponível no YouTube. O processo pede indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil e a exclusão do conteúdo da plataforma. Segundo Ancelmo Gois, do jornal O Globo, o episódio que motivou a ação foi gravado em 27 de agosto, quando Joice fez críticas contundentes à ex-primeira-dama. Durante a entrevista, a ex-parlamentar a chamou de “uma grande farsa”, “um horror” e “de baixíssimo nível”. Ela também acusou Michelle de ter sido “amante de Bolsonaro, enquanto ele era casado com outra” e de se envolver com “outro homem comprometido, de quem engravidou da primeira filha”. Pedido de censura e indenização Na petição, os advogados de Michelle Bolsonaro afirmam que as falas configuram difamação e solicitam a retirada imediata do vídeo. Eles sustentam que a gravação extrapola os limites da crítica política e afeta diretamente a honra da ex-primeira-dama. Apesar do pedido, a Justiça do Distrito Federal negou a liminar para remoção imediata do material, mantendo a gravação disponível no YouTube até nova decisão.
Com injeção de R$ 29 milhões, Caiado entrega novo Terminal Praça da Bíblia
Fotos: Wesley Costa Inauguração da estrutura, que recebe cerca de 65 mil passageiros por dia, integra pacote de reestruturação do sistema de transporte coletivo Usuários do transporte coletivo de Goiânia e Região Metropolitana contam, a partir desta segunda-feira (29/9), com um novo Terminal Praça da Bíblia. O espaço recebeu um aporte de R$ 29 milhões do Governo de Goiás e foi totalmente reconstruído. “Agora é um terminal moderno, tecnológico e seguro”, afirmou o governador Ronaldo Caiado, durante a solenidade de inauguração. Fotos: Wesley Costa Caiado afirma que modelo de gestão do transporte coletivo, em parceria do Estado e as prefeituras, garante a manutenção da tarifa em R$ 4,30 desde 2019 A estrutura teve a área coberta ampliada em 60%, possui iluminação de LED, sistema de informação aos usuários e totens eletrônicos, equipamentos de sonorização, além de padrões de acessibilidade. O local conta também com um sistema de monitoramento eletrônico equipado com 73 câmeras de alta definição e tecnologia de inteligência artificial que possibilita o reconhecimento facial. Caiado destacou que o novo terminal faz parte do pacote de reestruturação da Nova RMTC, executado sem cobrar nada a mais do passageiro. “Você tem uma tarifa de R$ 4,30 desde 2019. Mesmo com todas as crises que enfrentamos – fiscal, Covid –, nunca alteramos um centavo no preço para o passageiro”. Os terminais Dergo, Praça A, Senador Canedo e Padre Pelágio também passam por obras e serão entregues em 2026. O vice-governador Daniel Vilela frisou que o avanço é fruto de um modelo inovador de gestão, em que o Estado e as prefeituras são parceiros. “O governador teve a coragem de ser um parceiro dos municípios, do povo goiano e dos usuários do transporte”, destacou. “Esse sistema tem ficado excelente, diferenciado. É respeito ao cidadão, respeito às pessoas”, acrescentou o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel. Fotos: Wesley Costa Na mesma ocasião, o governo entregou 90 ônibus a diesel com a tecnologia padrão Euro VI, menos poluente, além de um veículo biarticulado elétrico modelo Eletra, que será integrado à frota do BRT Leste-Oeste (Eixo Anhanguera). Essas novidades, de acordo com o governador, dão a Goiás destaque nacional na adoção de tecnologias limpas no transporte. “Goiás foi o primeiro estado a avançar em ônibus elétricos e padrão Euro VI, ou seja, os que menos poluem no mundo. Estamos dando um passo à frente”, afirmou Caiado. Ele garantiu a renovação de 100% da frota até o final de 2026, com prioridade para a aquisição de veículos movidos por combustíveis limpos. “Vamos chegar a 1,5 mil novos ônibus até 2026”, emendou. As melhorias físicas devem ser acompanhadas de mais eficiência na operação. “Nós oferecemos, além dos ônibus novos, com ar-condicionado e sistema de Wi-Fi, um cuidado para evitar aglomerações grandes, porque foi feito um estudo para medir exatamente a quantidade de ônibus necessários para que a população tenha conforto nos horários de pico”, afirmou o secretário-geral do Governo, Adriano da Rocha Lima. O reforço da segurança no transporte coletivo, por sua vez, ganha forma com o Programa Viagem Segura, que conta com mais de 3 mil câmeras instaladas em todo o sistema e conectadas à Secretaria de Segurança Pública. Também até o final de 2026, serão 6 mil equipamentos. A ferramenta permitirá uma ação mais efetiva da Polícia Militar e trará maior tranquilidade a toda a população. Conforto Fotos: Wesley Costa Todo investimento visa melhorar a vida do cidadão que passa pelo Terminal Praça da Bíblia, que atende 42 linhas de ônibus e recebe cerca de 65 mil passageiros por dia. “Está muito bonito e eu estou me sentindo bem confortável. Está bem limpinho, cheiroso, arrumado e espero que continue assim”, afirmou Natália Ramos Feitosa Souza, pensionista, 56 anos. “Que o povo tenha consciência de preservar, porque é nosso, então nós temos que cuidar”, completou a usuária do transporte coletivo.
PL quer livrar Gustavo Gayer de ação no STF, onde ele é réu
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados Federais Réu no Supremo Tribunal Federal, o parlamentar bolsonarista enfrenta acusações de calúnia contra o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pediu à Câmara dos Deputados Federais que suspenda uma ação penal contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). Réu no Supremo Tribunal Federal, o parlamentar bolsonarista enfrenta acusações de calúnia contra um senador do PSD. De acordo com informações publicadas domingo (28/9) pela Carta Capital, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Paulo Azi (União-BA), afirmou que vai analisar o sobre o tema nesta semana. O STF tornou Gayer virou réu em outubro do ano passado, sob acusação de ter praticado os crimes de calúnia, injúria e difamação contra Vanderlan Cardoso (PSD-GO). A ação envolve declarações feitas em vídeo publicado nas redes sociais. Em fevereiro de 2023, Gayer publicou um vídeo e criticou a vitória de Rodrigo Pacheco (PSD) na eleição para a presidência do Senado Federal. O parlamentar sugeriu que senadores teriam sido “comprados com cargos de segundo escalão”.
Prefeitura de Goiânia realiza Dia D de Vacinação contra Febre Amarela no Parque Santa Rita
Fotos: SMS Vacinação, ampliação de visitas domiciliares e coleta de mosquitos para investigação científica reforçam prevenção após morte de macaco no bairro A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realizará o Dia D de Vacinação contra Febre Amarela no Centro de Saúde da Família (CSF) do Parque Santa Rita. Os imunizantes serão disponibilizados à toda a população na próxima segunda-feira (29/9), das 8h às 17 horas. Segundo o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, a ação integra uma série de iniciativas realizadas na região para combate à febre amarela, depois de caso confirmado da doença em um macaco. “Desde que o primeiro caso de febre amarela em primata foi confirmado, nós iniciamos a execução de um plano de contingência na área, para identificar riscos, implementar barreiras à propagação do vírus e ampliar a proteção da população”, explicou Pellizzer. Fotos: SMS Vacinação, ampliação de visitas domiciliares e coleta de mosquitos para investigação científica reforçam prevenção após morte de macaco no Parque Santa Rita A vacinação contra febre amarela é ofertada para todas as pessoas de nove meses a 59 anos de idade e o esquema vacinal varia entre uma e duas doses do imunizante, a depender da faixa etária. Em Goiânia, a cobertura vacinal contra a doença é de 66,3%. De acordo com a gerente de Imunização da SMS, Roberta Morais, a vacinação é fundamental para reduzir a vulnerabilidade dos moradores da região. “Quando um macaco morre com febre amarela em determinada área, isso serve como um alerta precoce de que o vírus está circulando naquele ambiente. Os primatas adoecem e morrem antes dos seres humanos, sinalizando risco de infecção para a população local”, disse a profissional. “A vacinação é a principal forma de evitar casos da doença em humanos e salvar vidas, e por isso, nós precisamos intensificar a cobertura vacinal”, afirmou a gerente. Plano de contingência Além da vacinação de moradores do bairro, o plano de contingência da SMS inclui ampliação das visitas de agentes de combate a endemias na região (para vistorias em quintais e orientação à população), coleta entomológica de mosquitos das espécies Haemagogus e Sabethes e pesquisa viral em áreas de epizootias dos vetores. “Nós monitoramos a presença e distribuição dos vetores, analisamos a densidade populacional desses mosquitos e investigamos o avanço da infecção dos insetos pelo vírus transmissor da doença”, disse o superintendente de Vigilância da SMS, Flávio Toledo. “Tudo isso é importante para direcionar ações de prevenção, antecipar possíveis surtos e assegurar a capacidade de resposta da rede de saúde”, destacou o superintendente.
A história por trás do vídeo de menino palestino carregando irmãozinho nas costas
© Ahmed Younis @ahmed.ys3 Para muitos, a história delas é mais um símbolo da agonia das crianças palestinas diante dos implacáveis ataques de Israel Em meio ao caos e ao horror das pessoas que estão sendo forçadas a abandonar suas casas em Gaza, um menino pequeno e descalço foge desesperadamente carregando seu irmãozinho, com a voz embargada pelas lágrimas enquanto grita repetidamente “ya ama”, que significa “mamãe”. O vídeo, capturado pelo fotojornalista palestino independente Ahmed Younis, foi visto por milhões de pessoas em todo o mundo. Graças a essas imagens, um comitê de ajuda humanitária egípcio conseguiu encontrar as crianças e reuni-las com seus pais no sul de Gaza. Para muitos, a história delas é mais um símbolo da agonia das crianças palestinas diante dos implacáveis ataques de Israel. Quem são as crianças no vídeo Jadoua, de 8 anos, carrega seu irmão Khaled, de 2 anos. O vídeo registra o momento em que as crianças fogem após serem separadas dos pais em meio a um bombardeio, após a ordem do exército de Israel para evacuar a Cidade de Gaza. O jornalista Ahmed Younis reencontrou as crianças no sul de Gaza e conversou com a família. Noha Mahmoud Khalil Abu Arar, a mãe das crianças, contou a Younis como se sentiu ao ver o vídeo viral dos dois irmãos. “Fiquei chocada quando soube que meu filho apareceu em um vídeo online carregando o irmão sozinho. Quando vi o vídeo, não aguentei. Chorei e me senti sufocada. Mas depois fiquei feliz que Jadoua tenha feito algo assim”, lamentou a Mãe que ainda explicou: “Até os homens adultos se sentem exaustos atravessando esse caminho, então imagine uma criança.” “Meu marido tinha saído para conseguir comida para as crianças”, contou Noha. “O exército de ocupação israelense começou a bombardear. O bombardeio foi extremamente intenso”, disse. A mãe estava com as filhas do casal e tentou salvá-las. Depois de ver o vídeo, uma organização humanitária egípcia procurou por Jadoua e seu irmãozinho por três dias até que eles foram encontrados e devolvidos a seus pais Jassim Abu Arar, pai de Jadoua, estava fora de casa no momento “Os bombardeios começaram um após o outro. Eu me escondi na entrada de um prédio. A entrada foi fechada atrás de mim e fiquei preso lá. Não sabia o que tinha acontecido com meus filhos”, contou o pai. “Jadoua estava brincando com os amigos e, quando aconteceu a explosão, ele fugiu. Quando voltou para onde estava sua mãe, não a encontrou. Viu o irmão no chão, chorando e gritando, então o pegou no colo e começou a correr.” Jadoua começou a caminhar, carregando o irmãozinho, na mesma direção para onde o restante das pessoas fugia. “Não achei minha mãe nem meu pai. Peguei meu irmão e caminhei, parando para descansar de vez em quando”, contou o menino. “Cheguei ao meu destino no meio da noite. E fiquei pedindo informações a todos que encontrava.” Jassim, o pai das crianças, pensou que seus filhos tinham morrido Símbolo do sofrimento Jassim, o pai das crianças, descobriu que seus filhos estavam vivos quando viu o vídeo viral na internet. “Achei que estavam todos mortos”, disse ele. O Comitê Egípcio de Assistência aos Moradores de Gaza procurou por Jadoua e seu irmãozinho por três dias até encontrá-los e reuni-los com seus pais. A família está agora em um acampamento administrado pela mesma organização em Khan Yunis. Ahmed Younis, o jornalista que capturou tanto o vídeo viral quanto o reencontro subsequente, reflete sobre o impacto de seu trabalho. “Desde o início da agressão, documentamos vários eventos aqui em Gaza, sejam deslocamentos, ataques direcionados ou outros incidentes”, exlplicou. “Muitas vezes enfrentamos desafios com a reação das pessoas às nossas filmagens, que nos perguntam: para quem estamos filmando? Quem vai ver isso? E por quê?” “Costumamos filmar para que o mundo veja o que está acontecendo e tome providências. Graças a Deus, este vídeo comoveu o mundo inteiro.” O pai de Jadoua observou que todos os seus filhos, “cada um deles, tem um sonho”. “O sonho de Jadoua é ser professor no futuro.” Para Ahmed Younis, as lágrimas do menino em seu vídeo simbolizam o imenso sofrimento e o fardo carregado pelas crianças de Gaza. Tess Ingram, porta-voz da Unicef, condenou o deslocamento forçado de milhares de crianças como Jadoua e adultos da Cidade de Gaza, que até recentemente tinha uma população de mais de um milhão. “O deslocamento forçado em massa da Cidade de Gaza é uma ameaça mortal para os mais vulneráveis”, disse Ingram. “É desumano esperar que meio milhão de crianças, espancadas e traumatizadas por mais de 700 dias de conflito implacável, fujam de um inferno apenas para acabar em outro.” “Só na Cidade de Gaza, havia pelo menos 10 mil crianças sofrendo de desnutrição sem água, e agora, com os bombardeios, elas não conseguem acessar um terço dos centros de nutrição que poderiam salvar suas vidas.” “É desumano esperar que meio milhão de crianças, espancadas e traumatizadas por mais de 700 dias de conflito implacável, fujam de um inferno apenas para acabar em outro”, disse Tess Ingram, porta-voz da Unicef “É desumano esperar que meio milhão de crianças, espancadas e traumatizadas por mais de 700 dias de conflito implacável, fujam de um inferno apenas para acabar em outro”, disse Tess Ingram, porta-voz da Unicef. Israel lançou uma campanha militar em Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e outras 251 foram feitas reféns, segundo autoridades israelenses. Os ataques de Israel mataram mais de 65 mil pessoas, incluindo mais de 18 mil crianças, e feriram mais de 167 mil, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. Um comitê das Nações Unidas (ONU) observou que mais de 40 mil crianças foram feridas pelos ataques israelenses e, dessas, pelo menos 21 mil estão agora incapacitadas. Em 16 de setembro, um comitê investigativo da ONU, a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, concluiu que Israel cometeu


