Divulgação
Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Ibaneis Rocha (foto) não se manifestou sobre as declarações
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmou à Polícia Federal (PF) que conversou em mais de uma ocasião com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a tentativa de venda da instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília). A declaração foi prestada em depoimento no dia 30 de dezembro do ano passado, no âmbito de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e investiga suspeitas de irregularidades na negociação. A informação veio a público por meio de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo o depoimento, Vorcaro relatou que as conversas com o governador ocorreram de forma institucional e com a presença de outras pessoas. Ele também afirmou que houve encontros pessoais, dizendo que Ibaneis já esteve em sua residência e que ele próprio já foi à casa do governador.
Pedido de impeachment
Após a divulgação do conteúdo do depoimento, os partidos PSB e Cidadania anunciaram que irão apresentar, de forma conjunta, um pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O PSOL informou que também pretende protocolar um pedido de afastamento do governador. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Ibaneis Rocha não se manifestou sobre as declarações. O depoimento de Vorcaro foi prestado à delegada da Polícia Federal Janaina Palazzo e a representantes do Ministério Público Federal, mas também incluiu perguntas formuladas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF. Ao todo, o empresário respondeu a cerca de 80 questionamentos em uma oitiva que durou quase três horas.
Inquérito sob sigilo
O inquérito corre sob sigilo. Desde o início de dezembro, todas as diligências e medidas relacionadas à investigação sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro dependem de autorização do ministro Dias Toffoli, por decisão do próprio magistrado. As investigações apontam que, antes mesmo da formalização da venda ao BRB, o Banco Master teria forjado e negociado aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado. Desse total, R$ 6,7 bilhões corresponderiam a contratos considerados falsos, enquanto R$ 5,5 bilhões seriam referentes a “prêmios”, valor atribuído à suposta carteira acrescido de um bônus. O caso culminou na liquidação do Banco Master, anunciada em 18 de novembro, e se tornou um dos maiores escândalos recentes envolvendo o sistema financeiro e instituições públicas do Distrito Federal.



