Flávio Bolsonaro e Lindbergh Farias – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Federais
Deputado critica silêncio de Flávio diante de críticas dos EUA ao Pix e aponta ameaça à soberania brasileira
A declaração de que “Flávio Bolsonaro vai acabar com o Pix”, feita pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), reacende o debate sobre soberania nacional após críticas dos Estados Unidos ao sistema de pagamentos brasileiro. O parlamentar acusou o senador de se omitir diante de ataques externos ao Pix e de priorizar interesses estrangeiros em detrimento da população brasileira. A afirmação foi publicada por Lindbergh Farias em suas redes sociais nesta quinta-feira (2/4), onde criticou diretamente o posicionamento de Flávio Bolsonaro (PL-SP) em relação ao tema. O silêncio do senador ocorre em meio a pressões da Casa Branca contra políticas brasileiras, incluindo o sistema de pagamentos instantâneos. Na postagem, Lindbergh afirmou: “O ‘patriotismo’ do Flávio Bolsonaro acaba onde começam as ordens do Trump. A Casa Branca atacando o nosso Pix e a nossa soberania e ele em silêncio absoluto. Prefere bater palma para americano do que defender o que facilita a vida de milhões de brasileiros. É a prova de que ele não está nem aí para o Brasil e para o brasileiro, só para o projeto de poder dos amigos lá de fora e para os interesses da família Bolsonaro. Flávio vai acabar com o Pix. O Pix é do Brasil”. A crítica ocorre após a divulgação de um relatório do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), que incluiu o Pix entre supostas barreiras impostas pelo Brasil ao comércio internacional. O documento também menciona iniciativas regulatórias sobre redes sociais e medidas tributárias como fatores que, segundo autoridades americanas, afetariam interesses econômicos dos EUA. O relatório dedica oito páginas ao Brasil e reforça pontos já levantados em investigações conduzidas no âmbito da chamada Seção 301, que pode resultar na aplicação de tarifas contra produtos brasileiros nos próximos meses. Entre as alegações, o USTR destaca que o Banco Central “criou, detém, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos”, e registra que empresas americanas teriam manifestado preocupações sobre um possível tratamento preferencial ao sistema. Além do Pix, o documento também cita outras questões recorrentes nas relações comerciais entre os dois países, como dificuldades no registro de patentes, disputas em propriedade intelectual, tarifas sobre o etanol, restrições sanitárias à carne suína dos EUA e políticas de incentivo à produção audiovisual nacional.
Casa Branca dispara contra Pix e cita prejuízo bilionário
Imagens: ©Foto: Instagram

Presidente dos EUA, Donald Trump
Casa Branca dispara contra Pix e cita prejuízo bilionário
Um relatório divulgado pela Casa Branca, na última quarta-feira (1/4), destacou o Pix como um sistema prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. “O Banco Central criou e regula o Pix; stakeholders dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas”, declararam. O texto também traz críticas ao Projeto de Lei (PL) das plataformas de internet (big techs), a taxas de importação e à comercialização na Rua 25 de Março. O relatório entra em sua reta final nos próximos meses e pode resultar em tarifas específicas contra produtos brasileiros. Para usar o Pix como pagamento à vista, as pessoas físicas e Microempreendedores Individuais (MEIs) não pagam tarifas ou taxas adicionais. Já as empresas (pessoa jurídicas) pagam um percentual muito abaixo dos cartões – em média de 0,33% do valor da transação e, dependendo do banco podem ser isentas porque a cobrança é opcional. Uma transação via cartão de débito custa ao comerciante em média entre 1,23% e 2% e o de crédito entre 3% e 5%.


