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O Crepúsculo de um legado: A herança de Iris Rezende do MDB no altar do PL de Bolsonaro

p/ Gilson Romanelli

Este é um momento de profunda ruptura simbólica para a política goiana. De um lado, temos o peso de uma biografia histórica que se confunde com a redemocratização do Brasil; do outro, uma herdeira política tentando ressignificar esse espólio em um novo espectro partidário. ​Apresento um artigo que analisa esse choque entre a trajetória de Íris Rezende e a decisão de Ana Paula, seguido pelo contraponto baseado nos argumentos que ela apresentou em sua carta aberta. A política, em sua essência, é feita de símbolos. E poucos símbolos são tão potentes em Goiás quanto a imagem de Íris Rezende Machado liderando as “Diretas Já” ,no grande comício em Goiânia no dia 12 de abril de 1984, na Praça Cívica. Foi um dos marcos mais importantes da campanha, com a praça lotada para pedir o retorno das eleições diretas à presidência da República, ou resistindo à cassação de seus direitos políticos pela ditadura militar em 1969. Por isso, a filiação de sua filha, Ana Paula Rezende, ao Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, soa para muitos como um “anacronismo ético”. Íris foi o baluarte da resistência democrática. Sua carreira — de vereador, prefeito a ministro, de governador a senador — foi pautada pelo institucionalismo e pelo combate ao autoritarismo. Ver o sobrenome Rezende abrigado sob a mesma legenda que questionou o sistema eleitoral e flertou com rupturas democráticas parece, para os aliados históricos, um descarte da biografia do pai “na lata do lixo”. ​A crítica contundente do governador Ronaldo Caiado, classificando como:  “opção empresarial”, chegando a usar termos como  “comercial” e “mercantilista” para caracterizar a migração partidária, joga luz sobre uma suspeita dolorosa: a de que o capital político do irismo estaria sendo negociado por conveniência comercial, ignorando as cicatrizes que a ditadura deixou no “Velho Cacique”. A Defesa de Ana Paula Rezende em resposta ao impacto de sua decisão, Ana Paula publicou uma carta aberta onde tenta desvincular o “legado” da “sigla”. Sua estratégia é clara: o irismo não é um CNPJ, é um modo de fazer política. Ana Paula ancora seu discurso no “resultado na ponta”. Ao citar os mutirões e a entrega de mil casas em um dia, ela argumenta que a essência de Íris era a entrega e a assistência social, e não apenas a ideologia partidária. Para ela, o PL seria o veículo atual que lhe oferece a “liberdade” para exercer essa política executora. A carta faz um resgate estratégico de sua mãe, Dona Íris Araújo. Ao evocar a rede de mulheres e a política do “cuidado”, Ana Paula tenta suavizar a imagem do PL (frequentemente visto como um partido de retórica masculina e belicosa), trazendo-o para o campo do social e do atendimento direto às famílias. O ponto mais audacioso da carta é o convite aos antigos aliados. Ela testa a fidelidade do grupo irista ao afirmar que “o que nos uniu não foi partido”. É um movimento de secessão: ela está dizendo aos prefeitos e líderes do interior que eles podem ser “iristas no PL”, tentando esvaziar o MDB de sua alma histórica. Enquanto os críticos veem traição à história, Ana Paula apresenta sua mudança como uma evolução necessária para quem deseja “espaço para construir”. Ela evita o confronto direto com as lideranças do MDB, mas deixa claro que o partido atual não mais representava o ambiente onde ela poderia exercer o que aprendeu em casa.A grande questão que fica para as próximas eleições é: o eleitor de Íris Rezende — aquele que valoriza a democracia e as instituições — seguirá a “chave” da herdeira para dentro de um partido de direita conservadora, ou permanecerá fiel à biografia democrática do pai, mesmo que longe da filha? Este é um tema denso e atravessado por memórias profundas da política goiana e nacional. Analisar a trajetória de Iris Rezende Machado em contraste com o bolsonarismo exige olhar para as raízes da formação política de cada um: enquanto um nasceu na resistência democrática, o outro se consolidou a partir de 2019 no saudosismo do período autoritário. Temos que fazer uma análise estruturada sobre esse choque ideológico e as implicações simbólicas das recentes movimentações políticas. ​A história política de Goiás possui um divisor de águas chamado Iris Rezende. Ocupar o mesmo espaço que o bolsonarismo, para muitos historiadores e entusiastas do “Irismo”, não é apenas uma aliança estratégica, mas uma contradição histórica direta.

​Iris Rezende teve seu mandato de prefeito de Goiânia cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos pela Ditadura Militar em 1969. O “Irismo” foi forjado na luta pelo restabelecimento da democracia e no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) genuíno, que era a voz dos perseguidos pelo regime de 1964. ​Em contrapartida, o bolsonarismo tem como um de seus pilares a exaltação do período militar. Enquanto Iris foi vítima da repressão, o PL bolsonarista frequentemente questiona a legitimidade de instituições democráticas e homenageia figuras ligadas aos porões da ditadura. ​Iris era o político do “Mutirão”sua ideologia era prática: o Estado deveria fornecer moradia, asfalto e dignidade diretamente ao povo. Ele via nos direitos trabalhistas e sociais a base da paz pública. ​O Bolsonarismo, a pauta do PL atual é marcadamente neoliberal. Existe uma busca constante pela flexibilização de direitos trabalhistas (sob o argumento de gerar empregos) e pelo desmonte de estruturas estatais que, na visão de Iris, eram ferramentas de justiça social. ​Iris Rezende era um homem de instituições. Mesmo nos momentos de maior tensão, sua linguagem era a da conciliação e do respeito à liturgia do cargo. O bolsonarismo, por outro lado, flerta com a retórica da ruptura, o questionamento do sistema eleitoral e o cerceamento de poderes do Judiciário — práticas que se chocam com a biografia de quem lutou para reconstruir o Estado de Direito no Brasil. A aproximação de herdeiros políticos e familiares de Iris Rezende com o PL de Jair Bolsonaro levanta um debate ético e histórico. Vincular o legado de Iris ao golpismo recente (como os eventos de 8 de janeiro) ignora que o próprio Iris foi um dos maiores símbolos da redemocratização em Goiás. Ao buscar o apoio do eleitorado conservador que hoje habita o PL, corre-se o risco de apagar o histórico de perseguição que o “Velho Cacique” sofreu justamente daqueles que defendiam o fechamento do Congresso e a censura.

​”A política é a arte do diálogo, mas a história é o tribunal da coerência.”

A análise dessa discrepância sugere que, embora o pragmatismo eleitoral force uniões improváveis, a essência do que foi o Irismo — um movimento de massas, democrático e desenvolvimentista — permanece em um espectro oposto ao autoritarismo e à agenda de redução de direitos que caracteriza o núcleo duro do bolsonarismo. “Sou um homem de origem humilde e de princípios rígidos. A ética tem sido minha principal referência no decorrer de uma trajetória marcada por enfrentamentos em favor das causas maiores do País. Fui cassado pela ditadura militar, que suspendeu por dez anos meus direitos políticos. Em nenhum momento, no entanto, durante esse período, afastei-me dos meus ideais. Sempre combati o bom combate, atuando na advocacia, dedicando-me às causas da democracia e do bem comum, trabalhando dia e noite com fé e obstinação na busca incessante da prosperidade e da justiça social.” (Íris Rezende Machado) Vamos aguardar os próximos capítulos desse episódio, vamos aguardar as pesquisas de opinião e intenção de votos. Mas uma coisa é certa, eu não tenho dúvidas em afirmar, Íris Rezende jamais seria aliado de uma política de extremismo.

Gilson Romanelli é jornalista e Articulista Político. O jornalista escreve para alguns Sites e Blogues e para vários diários em Goiás inclusive o jornal DIÁRO DA MANHÃ

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