Divulgação/PCGO
Apesar das acusações, o pedido de prisão preventiva foi negado pelo MPGO e pela Justiça. Até o momento, cinco mulheres denunciaram o médico
A Polícia Civil de Goiás (PCGO) investiga um ginecologista suspeito de cometer abusos sexuais contra pacientes durante consultas e exames nos municípios de Goiânia e Senador Canedo. Até o momento, cinco mulheres, com idades entre 25 e 45 anos, denunciaram abusos que teriam ocorrido de 2017 a 2026. O caso foi divulgado pela corporação nesta quinta-feira (16/4). O médico, identificado como Marcelo Arantes Silva (foto em destaque), é investigado por estupro de vulnerável. Segundo a corporação, uma das vítimas relatou ter sido abusada mais de uma vez. Mesmo ao retornar ao consultório acompanhada da filha, na tentativa de evitar novas situações, o comportamento criminoso do médico se repetiu. “Ele não se intimidou com a presença de outra pessoa e voltou a praticar atos libidinosos, aumentando ainda mais o desconforto da paciente”, destacou a delegada Amanda Menuci, da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam). Há ainda um relato de prática de sexo oral durante atendimento. Para a polícia, o número de vítimas pode ser maior do que o identificado. Apesar da gravidade das acusações, o pedido de prisão preventiva foi negado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e pela Justiça. Ainda assim, o investigado cumpre medidas cautelares impostas durante o andamento do processo. Ele ainda não prestou depoimento. A identidade e a foto dele foram divulgadas, segundo a corporação, “com autorização da delegada responsável, via despacho, a fim de viabilizar a localização de outras possíveis vítimas”.
Entenda dinâmica do crime
De acordo com a delegada, o médico seguia um padrão de comportamento para se aproximar das vítimas. Inicialmente, ele buscava conquistar a confiança das pacientes durante as consultas. Com o tempo, os atendimentos passavam a incluir atitudes consideradas abusivas. Entre os relatos estão toques físicos sem consentimento e perguntas invasivas sobre a vida íntima das mulheres. As investigações apontam que o ginecologista realizava exames sem o uso de luvas e fazia comentários de cunho sexual durante os procedimentos. Em alguns casos, ele teria questionado as pacientes se estavam sentindo prazer naquele momento.
Por que o crime é tratado como estupro de vulnerável
De acordo com a delegada, a tipificação foi escolhida porque o caso vai além de violação sexual mediante fraude, já que o delito ocorreu quando as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade. “Naquele local, no ambiente clínico onde elas eram colocadas, estavam em completo estado de vulnerabilidade, incapazes de oferecer resistência, até pela posição física que ficavam. A posição ginecológica, que elas ficam com as pernas abertas, muitas vezes até presas”, explicou a delegada durante coletiva. Ademais, a pesquisadora destaoua o aspecto psicológico dos abusos, uma vez que as mulheres estavam sob a autoridade do médico e em desvantagem técnica em relação ao que ocorria.
Medidas e providências
O Conselho Regional de Medicina de Goiás (CRM-GO) confirmou a suspensão do registro de Marcelo Arantes Silva por ordem judicial. O órgão informou que todas as denúncias são apuradas sob sigilo e que solicitou esclarecimentos aos responsáveis técnicos pelas unidades onde o médico atuava. A defesa de Marcelo não foi localizada pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestação. Na esfera jurídica, ficou determinado que ele obedecesse medidas cautelares, entre as quais a proibição de manter contato com as pacientes que o denunciaram, a obrigação de não se ausentar da comarca e a notificação ao Cremego para suspender o registro profissional.
Leia a nota do Cremego na íntegra:
“O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego. Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.”


