Correio do Brasil
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília – Fotos/
Segundo a investigação, empresas foram criadas para adquirir imóveis e ocultar a titularidade dos bens
Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília
A Polícia Federal (PF) identificou a criação de um conjunto de empresas do setor imobiliário utilizado para ocultar patrimônio em um esquema que envolve o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A apuração integra a quarta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira, que investiga lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Segundo a investigação, empresas foram criadas para adquirir imóveis e ocultar a titularidade dos bens. O empresário Hamilton Edward Suaki, ligado ao advogado Daniel Monteiro, aparece como diretor formal das companhias e é apontado como “interposta pessoa” para encobrir a relação dos investigados com os imóveis. Mensagens obtidas pela PF mostram que Costa e Monteiro discutiam a criação de uma “estrutura” empresarial para viabilizar a compra dos imóveis e ocultar a propriedade. Em um dos trechos, Monteiro afirma que “a documentação está pronta” e menciona a definição de um diretor para as sociedades e a organização da transferência de recursos. A PF aponta que pelo menos seis imóveis avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões foram negociados como forma de pagamento de propina a Paulo Henrique Costa, em troca de decisões que favoreceram transações entre o BRB e o Banco Master. Parte dos valores, cerca de R$ 74 milhões, já teria sido paga. Uma auditoria independente entregue à PF indica que as negociações com o Master eram tratadas internamente como “negócio do presidente” e realizadas sob pressão. O relatório aponta que carteiras foram fragmentadas para evitar aprovação do conselho e que aquisições bilionárias foram decididas e analisadas no mesmo dia. Em alguns casos, tratativas ocorreram sem entrega de relatórios exigidos contratualmente. Entre 2024 e 2025, cerca de 83% das operações do BRB envolveram ativos ligados ao Master. O banco público adquiriu aproximadamente R$ 21,9 bilhões em carteiras, sendo que cerca de R$ 12,3 bilhões apresentam indícios de inconsistências, ausência de lastro e problemas documentais. Há ainda suspeitas de contratos inadimplentes e registros em nome de pessoas mortas. As investigações indicam que Costa atuou na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e na aquisição de carteiras de crédito da instituição privada. O Banco Central (Bacen) vetou a operação ao apontar falta de viabilidade e riscos ao banco público. Em seguida, decretou a liquidação extrajudicial do Master.
Alertas técnicos
De acordo com a PF, mesmo diante de alertas técnicos sobre inconsistências nas carteiras, Costa teria dado aval às negociações e incentivado a aceleração dos contratos. A investigação aponta que ele teria atuado para viabilizar a entrada de recursos no Banco Master e, em contrapartida, recebido vantagens indevidas. Ainda na quinta-feira, a PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. Foram presos Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro. A defesa afirma que a prisão é “absolutamente desnecessária”. Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e 2025 e já era alvo da investigação desde a primeira fase da operação, quando foi afastado do cargo. Em depoimentos, ele negou irregularidades e afirmou que decisões no banco eram colegiadas e que não havia evidências de problemas nas carteiras. De acordo com a PF, são investigados crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A operação é um desdobramento de fases anteriores, que já resultaram em bloqueio de bens e outras medidas judiciais.


